“Espero que quando a morte te encontrar, ela te encontre vivo.”
E quanta verdade há nestas palavras.
Porque muitos de nós já morreram há muito tempo… e nem deram por isso.
Passamos os dias a existir, mas não a viver.
Acordamos com o coração cansado,
seguimos para trabalhos que nos consomem a alma, mantemos relações que já se apagaram há anos e fingimos que está tudo bem,
porque o hábito do sofrimento é uma prisão silenciosa.
Esquecemo-nos de que merecemos mais.
De que ainda é possível recomeçar.
De que ser vivo é ter chama, não apenas respiração.
Certa vez, uma menina olhava um planeta muito distante através do seu telescópio e disse ao pai, com os olhos cheios de luz:
— Um dia quero ir até lá.
O pai sorriu com doçura e respondeu:
— É impossível, filha. É tão longe... seriam precisos muitos anos de viagem.
Mas a menina, com aquela inocência que só os corações grandes guardam, replicou com firmeza:
— Não quero saber. Quero ir lá um dia.
A mãe, que escutava ao longe, aproximou-se e perguntou com ternura:
— E se chegares lá e não houver nada?
A menina ficou em silêncio.
Por um instante, o universo pareceu caber inteiro nos seus olhos.
Depois olhou novamente o planeta pelo telescópio e disse,
com um sorriso que iluminou a distância:
— E se eu chegar lá e tiver tudo?
Isto é estar vivo.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É conservar a chama acesa mesmo quando o vento sopra forte.
Porque viver não é apenas sobreviver aos dias,
é fazer de cada amanhecer uma promessa de recomeço, é olhar o impossível e sussurrar: “Eu vou tentar.”
@Carlos Cabrita _escritor ✍
@maioresfas

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